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Entrevistas - 28.05.2018

Apresentadora de TV, atriz e empreendedora. Foi rainha da beleza angolana no passado, mas quem já foi rainha nunca perde a sua majestade. A Miss Angola de 2008, deu vida a Njinga, a famosa líder africana do século XVII no grande ecrã. Mulher de talentos, Lesliana dá- se a conhecer à F Magazine Luxury.

Foi Miss Angola e passou pelo Miss Universo 2008, no Vietname. Que memórias guarda dessas experiências?
Em relação à Miss Universo, guardo memórias muito boas. Fiz amigas que posso considerar mesmo amigas, pois vivenciámos e partilhámos uma experiência única. A Miss Austrália, a Miss Guam e a Miss Brasil, que hoje vive nos Estados Unidos e é art dealer, e tantas outras, que com a ajuda da Internet conseguimos manter contacto. É essa a maior riqueza que trago dessa experiência, as amizades que construi com as diferentes candidatas de diferentes países.

Dois anos depois, foi apresentadora do Miss Angola 2011, que coroou Leila Lopes. Como encarou esta mudança de papéis?
É verdade. Logo no ano a seguir, no ano de 2009, desempenhei o papel de júri e no ano de 2010, fiz a primeira apresentação do concurso e mal sabia eu, que no ano seguinte, iria novamente apresentar e iria testemunhar um momento muito importante neste concurso. Tive a honra de fazer essa transição de uma forma muito tranquila na minha vida profissional. Vivi um ano como Miss Angola e logo no ano a seguir, comecei a trabalhar como apresentadora de televisão num grande canal brasileiro, a TV Globo internacional, com um programa que apresentei durante 7 anos, o Revista África. Um programa que retratava os países africanos, as figuras africanas de destaque nas artes, na música, o turismo e fazer essa transição de Miss para apresentadora e ter ainda no meu currículo o facto de nesse ano em que apresentei, ter participado na eleição da Miss Angola, que viria a ser a Miss Universo, foi com certeza muito bom, fiquei muito contente por ela, uma pessoa com uma alma e com um carisma muito grande. E claro que, para mim, continuar a participar no concurso Miss Angola, poder continuar a contribuir no evento em si, foi muito importante nos anos seguintes.

A sua carreira na televisão foi impulsionada quando foi entrevistada por Jô Soares. Passou a apresentar o programa Revista África para a Globo Internacional. Atualmente, é apresentadora na cadeia televisiva ZAP, sendo a também o novo rosto do canal ZAP Viva. Como se vê nesta posição? Gosta de comunicar?
Eu gosto muito de comunicar e essa sempre foi uma mais-valia desde o inicio, desde a altura em que voltei para Angola. Estava a estudar fora e sempre senti que depois daquele ano de reinado, a comunicação era com certeza “a minha praia”, como se diz. Tive várias propostas na altura da rádio e televisão a nível nacional, em Angola, mas foi a Globo Internacional que me apresentou um projeto que me atraiu: a Revista África. Apresentei durante 7 anos, viajámos por vários países do continente africano, entrevistei várias figuras de destaque em África. Foi importante para mim também esse processo, porque aprendi muito, foi uma aprendizagem muito grande em relação às minhas raízes, à minha cultura. O Jô Soares foi a minha porta de entrada porque foi no programa dele que fui entrevistada e convidada para fazer um casting. Não foi fácil fazer o programa porque eu não comunicava, nunca tinha feito televisão, mas acho que quando temos vontade e acreditamos no nosso potencial, podemos ir longe e foi justamente isso o que aconteceu. Tive bons profissionais, uma equipa muito competente logo de início, e conseguimos trazer para a televisão angolana um conteúdo de qualidade.

Uma vez no Brasil, manifestou um desejo. Apesar da diferença de sotaque, gostava de vir a atuar em novelas brasileiras?
Como em tudo na minha vida sempre me propus a desafios. Eu lembro-me perfeitamente de ter ido gravar um dos bastidores da novela O Caminho das Índias, no Projac, no Rio de Janeiro e depois de terminar, ter ido visitar vários espaços desse estúdio, o centro de produção da TV Globo. Na altura, perguntei se poderia fazer uma inscrição para atriz no canal e disseram-me que sim, que era possível, e eu predispus-me a fazer. Recebi o teste, fui para o hotel naquele dia, ensaiei muito. Gravei o teste, e lembro-me de ter ficado com muita esperança porque acreditava que estava no meu universo, que era aquilo que eu estava predestinada a fazer. Depois, surgiram vários convites para várias personagens na TV Globo, desde filmes, a novelas em que participei e abriu-me um novo horizonte para a minha faceta como atriz, que é algo que eu gosto mesmo muito de fazer. Em relação ao sotaque, foi necessário torná-lo mais abrasileirado e é sempre bom quando sentimos que somos capazes de fazer mais e melhor.

Conseguiu um papel na produção brasileira Xuxa e O Mistério de Feiurinha, onde interpretou uma fada. Como foi esta sua experiência ao atuar num outro país?
É verdade, conseguimos fazer um filme muito bonito, completamente lúdico, um filme que eu me vou orgulhar sempre de ter participado e que um dia terei oportunidade de mostrar às minhas netinhas: a avó no papel de fada madrinha da Cinderela. O filme Xuxa e O Mistério da Feiurinha foi um grande sucesso. A Xuxa Meneghel é uma figura incontornável do entretenimento e da história da televisão no Brasil e também em Angola. Ela veio para a estreia do filme em Luanda e foi com certeza um momento áureo para nós, angolanos, termos um filme com a participação de uma angolana e contar com a estrela principal do filme para promover o lançamento do filme. Foi muito bom ter conseguido o papel e perceber que o que importa é fazer as coisas com amor, profissionalismo, dedicação e sentimento.

E como encarou a responsabilidade de representar um ícone angolano como a Rainha Njinga?
Encarnar o papel da rainha Njinga foi uma responsabilidade muito grande. Eu fiquei muito feliz quando soube que este projeto iria acontecer. Quis muito participar e então entreguei-me completamente à personagem. Fui para o casting completamente despida de qualquer imagem associada a outras coisas que já tivesse feito. Fui empenhada em conseguir aquela personagem porque sabia da sua importância histórica e do impacto que esse filme iria e irá ter na sociedade angolana. Tinha plena noção disso e da importância que isso teria na minha carreira, e por entrar para a história do cinema angolano e dei o máximo de mim. Tive também uma equipa de preparação muito grande e foi com certeza um marco na minha carreira como atriz.

Depois de ter enchido as salas de cinema em Angola, Portugal, Brasil e Inglaterra, o primeiro filme épico angolano Njinga, Rainha de Angola, foi aplaudido na Broadway, no Festival Internacional da Diáspora Africana. Como reagiu ao sucesso desta produção nesta emblemática rua americana?
É verdade. O filme Rainha Njinga, ao ser um filme muito importante para a história do cinema em Angola, ainda me agraciou com o facto de estrear na Broadway. Lembro-me perfeitamente na altura, quando fui para Nova Iorque para fazer essa apresentação do filme, de parar e dizer: "Eu estou na Broadway", pura e simplesmente o coração da representação, daquilo que é o teatro, daquilo que é o espetáculo do mundo, e perceber que há alguns anos atrás, jamais me imaginaria a fazer o que estava a fazer. Então, há coisas realmente maravilhosas que acontecem na nossa vida profissional que são alcançadas com talento e com trabalho árduo e eu fiquei mesmo muito feliz. Não há palavras para explicar aqueles dias do festival, de ver o filme em tela, de ver diferentes comunidades africanas sentirem-se valorizadas e sentirem-se representadas pelo filme.

Entrou para a história do cinema africano ao se tornar a primeira atriz angolana distinguida pela Academia do Cinema Africano, vencendo na categoria de Melhor Atriz Principal da XI edição African Movie Academy Awards, pelo seu papel em Njinga Rainha de Angola. Que importância teve para si?
Ter sido a primeira atriz angolana distinguida pela Academia do Cinema Africano foi muito importante porque é uma academia que tem na sua essência valores que representam exatamente aquilo que é a seriedade do cinema em África e eu fiquei muito feliz por perceber que profissionais desse gabarito, olharam para o meu trabalho e reconheceram o meu valor e distinguiram-me como a melhor atriz africana daquele ano. Fiquei muito feliz, por trazer este prémio pela primeira vez para Angola, mas ter sido consagrada melhor atriz africana pela Africa Movie Academy com um projeto como Rainha Njinga não tem explicação. É algo que fica para sempre no meu currículo e na minha memória.

Este tipo de reconhecimento veio aumentar as suas responsabilidades?
Eu não gosto de me impor essa responsabilidade de ter de fazer mais e melhor por ter sido a melhor atriz africana naquele ano. O mercado de cinema em Angola, infelizmente, não é um mercado que nos traga muitos trabalhos com frequência. Neste momento tenho um projeto como atriz, mas para 2018.
Tenho trabalho como apresentadora e estou a apostar mais na vertente de apresentação de conteúdos de entretenimento, mas gostaria muito de ter mais projetos a acontecerem até para que essa responsabilidade do prémio e do patamar onde estou inserida como atriz ser mais patente em mim.

Onde teve génese o sonho de ser atriz?
O sonho de ser atriz é uma coisa muito antiga, lembro-me de quando era pequenina, já brincar a interpretar personagens que via na televisão, mas acho que só se materializou mesmo numa vontade quando cheguei muito perto da representação no Brasil, quando era apresentadora de um conteúdo de entretenimento do canal internacional da TV Globo Internacional. Aí propus-me a esse desafio de entrar no universo da representação, e como tudo na minha vida, acho que foi mesmo essa ousadia e esse sentimento de que também eu sou capaz de fazer e consigo aprender que me fez chegar onde estou agora.

Quem a inspira mais nesta indústria? E porquê?
Quem me inspira muito neste universo da representação e é para mim um nome incontornável na representação, no mundo, é a Meryl Streep. É uma atriz que eu vou ver independentemente do género de filme que esteja a fazer. É uma atriz que transmite veracidade nas suas personagens, tem uma verdade tão grande que é apaixonante. Gosto mesmo muito dela. É assim a minha referência maior, no entanto, existem várias outras atrizes mais novas que também têm sido uma lufada de ar fresco e têm transmitido essa mesma verdade nos seus diferentes personagens.

Que conselho deixa a quem queira ingressar nesta profissão e tenha de enfrentar a fama?
Para quem vai entrar no mundo da representação e vai enfrentar com certeza a fama, tem de saber que a fama é uma faca de dois gumes. É importante encararmos esse lado da fama como algo que advém do nosso trabalho, da exposição do nosso trabalho. Mas o mais importante é consolidarmos o nosso nome dentro do mercado de trabalho e o carinho do público, que se conquista através da nossa conduta, da nossa forma de ser e de estar para com os outros que não tem nada a ver com a fama. Mas para quem está a entrar nesse universo, o meu conselho é que tenha muito cuidado com os caminhos que escolhe e é importante termos discernimento para não nos vermos rodeados de pessoas de influência menos positiva. Devemos seguir pelos nossos próprios pés e sabermos exatamente quem somos, onde estamos e o que queremos. Acho que só assim é que conseguimos continuar a ter bons frutos no trabalho e continuarmos a manter e a elevar a fasquia profissional, pois a fama não é de todo o mais importante.

Modelo, apresentadora e atriz. O que lhe falta ainda fazer?
Eu gostava muito de poder ainda explorar mais esses dois universos, da apresentação, da representação. Acho que ainda fiz muito pouco. Já tive oportunidade de participar em novelas, já fiz um filme que é muito importante, não só para Angola, mas também para África, o Rainha Njinga, já apresentei conteúdos com o Luciano Huck e com grandes nomes da apresentação, já fiz um programa durante sete anos de grande audiência na TV Globo Internacional, estou com um novo projeto agora pela ZAP, mas acredito que o limite é realmente o céu e acho que até lá podemos fazer muita coisa.

Quais os seus projetos para o futuro?
Em 2018 vou ter uma representação. Não é nada que esteja completamente fechado, ainda está em aberto. Estou a estrear o meu programa na ZAP, é um programa que foi amadurecido durante muito tempo. Um programa que eu espero que vá encantar o público angolano e moçambicano e estou muito feliz. Tenho procurado diferentes horizontes para a minha carreira e espero que seja um ano de consolidação, de acréscimo de mais e melhores projetos.

Para quem ainda não conhece a verdadeira Lesliana, defina-se em poucas palavras…
Para quem não me conhece, eu diria que sou uma pessoa muito tranquila, uma pessoa de poucos e bons amigos, uma pessoa muito comunicativa, muito positiva, com uma aura leve, com um espirito aberto e alguém de luz. É assim que me defino.

 

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