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Entrevistas - 24.06.2017

Ibérico Nogueira é um dos cirurgiões mais requisitados por pessoas cujo trabalho depende da imagem, com alguns famosos no currículo, mas não só… Na cirurgia plástica há 30 anos, passou pelo Brasil e Estados Unidos, dedicando-se, sobretudo, ao rejuvenescimento facial, uma das suas grandes paixões. Conheçamos um pouco melhor sobre este grande profissional da estética…

 

Licenciou-se na Faculdade de Medicina de Coimbra e foi para o Brasil fazer a especialidade em Ginecologia. Quando percebeu que esse não era o caminho e optou por se especializar em medicina plástica reconstrutiva e estética?

Quando entrei pela primeira vez numa clínica de cirurgia plástica e assisti a um face-lift percebi logo que era aquilo que eu queria fazer na minha vida. Foi “paixão” à primeira vista.

O investimento na imagem é, hoje em dia, quase uma obsessão e é sabido que uma boa aparência é um passo para se ter sucesso. Quais são os principais fatores para esta realidade?

São múltiplos fatores. A longevidade aumentou, as pessoas mantêm-se mais anos no ativo, os jovens são mais agressivos comercialmente e as pessoas pretendem ter um aspeto mais jovial para poderem competir no mercado de trabalho. Outro aspeto é a parte emocional e afetiva. As mulheres sentem necessidade de se sentirem mais bonitas e sensuais. Na realidade, sempre existiu uma grande competição entre os melhores na procura do parceiro ideal.

As novas técnicas de medicina e cirurgia estética realmente podem tornar as mulheres mais apetecíveis e melhorar a sua autoestima.

As mulheres procuram a cirurgia estética por se preocuparem mais com o seu aspeto físico do que os homens. Acha que é só por uma questão de vaidade?

As mulheres sabem que vivem numa sociedade em que os homens, com o seu perfil psicológico e carga genética, são seres vulneráveis e que se deixam seduzir pela beleza física e sensualidade. Assim sendo, o seu espírito inteligente e prático leva-as a procurar meios adequados que lhes permitam ir ao encontro das inclinações masculinas. É aqui que entra a cirurgia estética, com as suas técnicas de rejuvenescimento.

Mas é de mencionar que nos últimos anos, os homens têm vindo a procurar cada vez mais os tratamentos cirúrgicos (lipoaspiração abdominal e rinoplastia) e não cirúrgicos (“botox”, vitaminas e preenchimento com ácido hialurónico).

Que tipo de mulher o procura mais? E qual o tipo de tratamento/intervenção a que mais recorrem?

Hoje em dia, a procura pela medicina ou cirurgia estética não depende do “status social”, nem da classe financeira. Em todo o mundo, a cirurgia estética tem tido um crescimento exponencial. Os procedimentos mais procurados variam com o sexo e a idade. Habitualmente, até aos 35 anos, somos mais procurados para a correção da flacidez mamária ou abdominal e para tratar os primeiros sinais de envelhecimento. Mais tarde, na crucial faixa dos 40/45 anos, o rejuvenescimento facial (vulgo face-lift) é muito requisitado. Os homens procuram as rinoplastias, a eliminação dos “papos” das pálpebras e da gordura abdominal.

O culto do corpo existe?

Não sei se poderemos dizer “culto do corpo”, mas é inegável a crescente preocupação pelo corpo, principalmente, nos mais jovens (20/35 anos). É notório o aumento de ginásios e de marcas de roupa de ginástica e este facto revela essa preocupação. Nas minhas consultas, há cada vez mais pacientes cujo objetivo é retardar os primeiros sinais de envelhecimento.

Como está hoje o panorama da cirurgia plástica em Portugal?

Tem havido uma curva crescente importante, a qual penso estar relacionadacom o bem-estar das pessoas, com a diminuição dos “tabus” e, também, resultado das informações divulgadas pelos media, já que criam e difundem padrões de beleza.

Há uns anos,fomos bombardeados com a imagem da Claudia Schiffer. Hoje em dia, a tendência é manter uma expressão natural preservando a expressividade individual.

A evolução da cirurgia e medicina estética tem sido muito grande?

Tem havido avanços notáveis na medicina e cirurgia estética fruto da constante evolução da tecnologia a nível mundial. As novas tecnologias laser, os novos produtos para “colar” tecidos, novas formulações vitamínicas para rejuvenescer a pele, novos tipos de sedação analgésica, têm permitido tornar os procedimentos menos agressivose de rápida recuperação.

No campo do rejuvenescimento, uma das suas especialidades, têm surgido inúmeras novas técnicas...

Sim, mas fico apreensivo ao ver como a medicina estética está a ser invadida por pessoas que só veem o lado comercial e tentam convencer o público que existem técnicas miraculosas.Temos de analisar e diagnosticar todos os sinais de envelhecimento e, depois, selecionar as técnicas que permitem um rejuvenescimento harmonioso.É muito importante opaciente pesquisar informações sobre os diferentes médicos, locais/clínicas, técnicas e produtos utilizados.

Qual(s) a cirurgia(s) que mais lhe dá prazer fazer?

Confesso que tenho uma especial paixão pelas rinoplastias e face-lifts.

E o botox, é eficaz?

O botox é extremamente eficaz. Esta toxina, quando injetada no músculo, desencadeia um relaxamento muscular temporário bloqueando o aparecimento de rugas. Serve, também, para tratar certos tipos de enxaqueca e ainda para tratar o excesso secreção de suor (hiperhidrose).Mas é preciso que quem aplica saiba o que está a fazer, pois se não for infiltrado no músculo certo, o efeito pode ser perverso.

Bisturi ou botox/infiltrações (“fillers”)? Qual a melhor opção?

Esta decisão só pode ser tomada no decorrer da consulta clínica. Tudo dependerá do diagnóstico realizado, mas penso que a toxina botulínica e ácido hialurónico e cirurgia são complementares e que não se substitui o bisturi por uma infiltração. Ou seja, podemos recorrer ao “botox e fillers” para retardar o envelhecimento cutâneo, e uns anos mais tarde, poderemos recorrer ao bisturi para realizar, por exemplo, um mini-lift e, anualmente, fazer pequenas infiltrações para manter os resultados.

Qual o momento mais marcante da sua carreira?

A primeira cirurgia a solo. Foi um momento muito stressante, mas foi a partir daí que fiquei com o “bichinho/vício” da cirurgia, que foi crescendo ao longo dos anos.

Se não fosse cirurgião plástico, o que gostaria de ter sido?

Arquiteto. Tenho uma paixão muito grande por remodelação de casas e espaços. O reflexo desta paixão surge nos meus tempos livres, uma vez que muitas vezes são ocupados com bricolage e trabalhos caseiros.

Na área da intervenção estética, quais os avanços que mais anseia?

A cura do cancro e a descoberta e controlo dos genes relacionados com o envelhecimento.

Tem ligações a Angola, tendo até participado como sponsor do Angola FashionWeek. Considera a possibilidade de vir a exercer no país?

Fuidiversas vezes a Luanda, porque tenho uma série de pacientes que operei nos últimos anos e que me pediram para os visitar. Aproveito para ver como estão os resultados das intervenções. Outro aspeto que me levou a Angola foio facto de estar a tentar promover um intercâmbio com clínicas e médicos locais para se criar um embrião de uma escola de cirurgia plástica em Luanda, por intermédio de médicos angolanos. O que gostaria era de promover um intercâmbio entre os dos países e “lançar” em Angola as bases da Escola Brasileira de Cirurgia Plástica, onde me especializei.

 

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