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Entrevistas - 08.01.2017

Não se sente apenas apresentadora de televisão, prefere antes a palavra «comunicadora». E, na verdade, é isso que faz. Comunicar. Seja como apresentadora, atriz ou coautora dos documentários «Príncipes do Nada», que retratam as suas missões de voluntariado pelo mundo e, especialmente, por África. Atualmente, Catarina Furtado divide-se entre a apresentação do programa The Voice, a peça que acaba de estrear, a direção da Associação «Corações com Coroa» e as funções de embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População. Ícone de beleza e de elegância, Catarina é, acima de tudo, uma mulher de garra, sensível ao mundo que a rodeia, realista e arrebatadoramente inspiradora…

 

Iniciou a sua carreira como jornalista na década de 90. Podemos dizer que herdou o gosto pelo jornalismo do seu pai?

Inconscientemente, acho que sim… Até porque o jornalismo foi já uma segunda escolha. Sou formada em dança clássica pelo Conservatório Nacional de Lisboa e sempre achei que seria bailarina profissional. No entanto, já depois de terminar o curso, dei uma queda que me obrigou a parar de dançar. Sempre fui curiosa, gostava de escrever e talvez tenha sido influenciada pelo meu pai por vê-lo a trabalhar com tanto gosto e por trazer tanto «mundo» para casa, através das suas viagens e reportagens.

 

O que a levou a abdicar da carreira de jornalista?

Sempre respeitei muito a profissão de jornalista e percebi que para ser apenas jornalista, teria que deixar de lado outras atividades que acabei por abraçar, como a representação, a apresentação e até a publicidade. Hoje, pratico os ensinamentos do jornalismo nos documentários que faço, mas não sou jornalista, sou uma contadora de histórias.

 

Ao longo destes 25 anos de carreira acabou por se firmar como apresentadora de televisão. O que a cativa verdadeiramente nesta área?

Já não me sinto só uma apresentadora. Acho que sou uma comunicadora, no sentido mais lacto, porque na verdade, não consigo «vestir» todos os papéis de apresentadora. Há formatos que não conseguiria mesmo apresentar. O que gosto mais, enquanto apresentadora, é ser «a anfitriã», aquela que serve o público com um conteúdo rico. Depois, também gosto muito de trabalhar em equipa e, em Portugal, somos capazes de fazer coisas incríveis.

 

Que tipo de programa não se imagina mesmo a apresentar?

reality shows de que não gosto mesmo. Felizmente, ao longo da minha carreira, tenho tido o privilégio, quer na SIC, quer na RTP, de ter podido contar com direções que percebem onde posso dar o meu melhor contributo.

 

Existe algum tipo de programa que ainda não tenha apresentado e que gostava?

Essa é uma boa pergunta (risos). Sim! Gostava imenso de voltar a apresentar formatos de conversa. Gostei muito de fazer o programa «Com amor se paga», na RTP, onde fazíamos surpresas a pessoas que faziam a diferença no «mundo» delas, na sua localidade ou ao redor delas… Gosto particularmente de programas onde se homenageiam pessoas e onde há tempo para conversar.

 

Já apresentou dezenas de programas. Houve algum que a tenha marcado de uma forma especial?

Marcaram-me todos, mas o formato do qual eu sou coautora com o Ricardo Freitas da produtora «Até ao Fim do Mundo», «Os Príncipes do Nada», será provavelmente o meu programa do coração.

 

Enquanto atriz, já passou pelo cinema, teatro e televisão… E na representação, em que formato se sente melhor?

Se eu tivesse que escolher, assim de repente, escolheria o teatro. O teatro tem um processo bastante mais interessante, porque tem um tempo muito próprio. Tanto o cinema, como a televisão não podem esperar o tempo que seria desejável para fazer nascer uma personagem.

 

Quando vamos voltar a vê-la a pisar o palco do teatro?

Muito em breve. Estou em vésperas de estrear uma peça encenada pelo Marcos Barbosa e que tem no elenco o João Reis, que conheço vagamente de algum lado (risos), a Manuela Couto e o Paulo Pires…

 

Como é estar em cena com o seu marido?

Nós conhecemo-nos, precisamente, numa série de televisão, «A Ferreirinha», emitida pela RTP. Ele fazia de Camilo Castelo Branco e eu, de Ana Plácido, a sua grande paixão… Depois, já fizemos a peça «Shakespeare» e o João já me encenou na peça «Transações». Como somos pessoas bastante sensatas, separamos muito bem as águas. No fundo, queremos exatamente a mesma coisa: que o projeto corra bem.

 

Ao longo dos últimos anos, tem construído uma carreira muito sólida… Qual o segredo para manter o equilíbrio emocional e a harmonia familiar, com uma carreira tão exigente?

Acho que não há segredo nenhum. Não vou negar que há dias difíceis… Nos dias mais intensos, a parte afetiva fica inevitavelmente mais descurada e, nesses momentos, podem surgir pequenos sinais aos quais devemos estar atentos… Se houver algum segredo ou alguma estratégia, acho que é esta: estar atenta a estes pequenos sinais, de forma a evitar que se tornem em grandes sinais.

 

Precisa de estar bem emocionalmente para que profissionalmente os seus projetos corram bem?

Preciso da estabilidade emocional para me inspirar para o resto da minha vida. Nem sempre é fácil conciliar uma agenda tão exigente com a vida familiar, mas sinto-me uma privilegiada pela vida que tenho e não mudaria nada.

 

Metade da sua carreira tem sido também dedicada a causas sociais. Desde 2000 que é embaixadora da Boa Vontade do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA)… Foi também fundadora da Associação «Corações com Coroa». O que mais a motiva nestes projetos?

Face à minha profissão e ao facto de ser uma figura pública, sinto que não teria outra alternativa, além desta que é ajudar a construir uma sociedade mais informada e participativa. A associação «Corações com Coroa», por exemplo, é um projeto de vida que espero que fique para além da minha presidência e acho que é um grande feito para a sociedade.

A produção dos documentários «Príncipes do Nada» tem-lhe permitido conhecer vários países de África… O que mais a fascinou neste continente?

Sou uma apaixonada por África. Tenho um fascínio especial pelo continente e pelos africanos. Cada povo e cada país tem as suas particularidades, mas há aspetos comuns a todos os países que me fascinam sempre: as pessoas, as culturas e a aprendizagem…. Aprendo muito em África.

 

Já visitou Angola?

Ainda não e tenho imensa pena. Angola estava na lista de países a visitar nesta 4.ª série dos documentários «Príncipes do Nada», mas não conseguimos reunir as condições necessárias. Espero que consigamos ir lá na próxima série. O nosso objetivo é, sobretudo, mostrar histórias inspiradoras que mostrem que é possível contrariar as estatísticas.

 

Há um ano, lançou o livro «O que vejo e não esqueço» onde reúne as histórias mais comoventes que tem vivido nas suas viagens e missões pelo Mundo. Para quem ainda não leu, o que podemos encontrar neste livro?

Na primeira parte do livro, procuro explicar de onde vem esta minha vontade de fazer «qualquer coisa» por este mundo, que esteve sempre presente em mim. Na segunda parte, partilho as experiências das minhas viagens todas. Tenho feito várias apresentações pelo país e o feedback tem sido muito bom. As pessoas têm-me dito que é um livro que mostra a realidade tal como ela é…

 

Estamos prestes a chegar à quadra natalícia… Como vive esta época?

O meu Natal foi sempre passado em casa das minhas avós que, infelizmente, já partiram e, desde então, assumi a missão de receber a família lá em casa. Felizmente, tenho uma casa onde consigo fazer o habitual espetáculo de Natal, produzido por mim e onde toda a gente da família participa. É uma «mega» produção que inclui teatro, dança, anedotas e magia, e que acaba, impreterivelmente, na hora em que o «Pai Natal» chega a casa à meia-noite.

Por Sofia Cardoso

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