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Tendências / Desfiles - 18.09.2018

“Não tenho a certeza se o mercado realmente exige tanta roupa, tal como entregar o inverno em julho não faz nenhum sentido. Algo precisa de acontecer, temos de encontrar um novo mecanismo para o sistema funcionar.”

Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga 



São necessários cerca de 7.000 litros de água para produzir um único par de jeans.

Este é um tema para refletir porque aborda um lado oculto do mundo da moda. A indústria da moda é a segunda mais poluente da atualidade a seguir ao petróleo. Desde o fornecimento de materiais, produção, desperdício, stock não vendido, cada etapa exerce uma imensa pressão sobre os recursos ambientais. A indústria de luxo, que tem sido muito vilipendiada por promover a extravagância e o consumo desinibido, tem vindo a lutar por se manter relevante no atual cenário das consciências do meio ambiente.

A moda sustentável, também denominada “eco fashion”, pauta-se por processos não prejudiciais ao meio ambiente. Ou seja, todo o processo envolvido na cadeia de produção de roupas e acessórios não devem prejudicar o ecossistema. Esta exigência tem sido reforçada pelo surgimento de um novo tipo de consumidor mais consciente, que procura a ostentação do luxo mas que exige sustentável sua sustentabilidade, pelo que cabe à indústria redefinir os seus parâmetros para continuar a existir. Felizmente, muitos players do mercado já se encontram a fazê-lo de forma positiva.

Tomemos o caso das peles verdadeiras em oposição às falsas ou “faux fur”, um negócio, em teoria, sustentável. Marcas como Ralph Lauren, Gucci, Calvin Klein, Vivienne Westwood, Stella McCartney, entre outras, já as adotaram há muito tempo. Contudo, a Fendi ainda se recusa a ceder. Os comerciantes de peles, por seu turno, afirmam que se trata de um material sustentável, porém, na realidade a demanda supera o ritmo natural de fornecimento, levando a umaprodução acelerada, bem como a práticas cruéis. De facto, aqui, o ângulo de sustentabilidade torna-se muito discutível.

De louvar Stella McCartney que começou a sua marca assente num modelo de materiais sustentáveis e livres de crueldade para com os animais. Stella admite que um grande desafio difícil de cumprir é de não usar couro ou cabedal, quando a maior parte das grandes marcas de luxo dependem deste material nos seus artigos para gerar lucro.

Na altura, Stella foi ridicularizada pelo seu idealismo elevado, mas em 2007, um relatório ambiental de renome descobriu que a indústria pecuária respondia por 18% das emissões mundiais de gases de efeito estufa, mais do que todo o sector de transporte global. Relatório esse que demostra que a indústria do couro é 20 vezes mais prejudicial ao meio ambiente do que qualquer outro material natural ou sintético, à exceção do PVC. Por essa razão a designer nunca utilizou cabedal nem nas suas coleções, nem nas suas parcerias, o que torna Stella McCartney uma das principais marcas de luxo realmente comprometida com a proteção do meio ambiente. Em 2010 a sua carteira Fallabella tornou-se uma it-bag, caindo nas graças das celebridades e das pessoas interessadas em moda.

O filme Diamantes de Sangue, Blood Diamond no original, provocou uma grande controvérsia sobre o fornecimento esclavagista de diamantes e trouxe o assunto “diamantes de conflito” para a ordem do dia. Mas o movimento em defesa do ético na indústria de jóias começou muito antes, com a Tiffany & Co. a liderar o caminho, comprometendo-se a obter diamantes apenas de uma forma ambientalmente responsável. A Tiffany & Co. adquire apenas pedras preciosas de países que participam no Sistema de Certificação de Processos de Kimberley, que protege a mineração livre de conflitos tanto quanto possível.

Criar moda com materiais sustentáveis tem um custo adicional espantoso. Para obedecer ao chamado “compromisso criativo", é necessária mais criatividade para criar coleções com materiais sustentáveis, mas já está a ser feito e muito bem feito.

Há exemplos de marcas que se interessam por materiais sustentáveis inovadores. A linha Primavera 2012 de Manolo Blahnik utilizou peles de tilápia, cortiça e ráfia descartável. No mesmo ano, a Marni reciclou materiais como discos de vinil e garrafas de plástico na sua coleção de joias de verão. Em 2009, a Gucci lançou uma edição limitada de t-shirts em algodão orgânico. No mesmo ano, a coleção cápsula da YSL denominada "New Vintage” usou tecidos remanescentes de coleções passadas. E muitos outros grandes players como Armani e Burberry, também se interessaram por criações com materiais inovadores ao longo dos últimos anos. Esperemos que estes exemplos não sejam meros truques de marketing e relações públicas, mas que impliquem um compromisso real com a moda sustentável e ecológica para redefinir o luxo.

As estações do ano não mudam tão freneticamente quanto as estações da moda. Isso provoca uma drenagem enorme de recursos devido à lógica “quanto mais produção, maior a pressão”. Ao ponto de Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga, ter afirmado recentemente: “Não tenho a certeza se o mercado realmente exige tanta roupa, entregar o inverno em julho não faz nenhum sentido. Sinto que algo precisa de acontecer. Temos de encontrar um novo mecanismo para o sistema funcionar, porque muito dinheiro é desperdiçado no desenvolvimento e na venda de coisas de que realmente não precisamos.”

A poluição química tóxica proveniente do fabrico de vestuário, felizmente, é uma questão que está finalmente a chegar a um fim. Embora seja em número pequeno, 18 empresas (10% do retalho global), incluindo Valentino, Burberry e Marks & Spencer, começaram a eliminar as substâncias tóxicas das suas cadeias de suprimentos como parte da campanha da Greenpeace “Detox My Fashion”. E isso está a ter um efeito de onda muito desejado em toda a cadeia, levando gigantes do mercado a empreenderem iniciativas rigorosas sobre as práticas de fornecedores. A liderar o caminho está Valentino, que se comprometeu publicamente, até janeiro de 2020, a eliminar todos os produtos químicos perigosos em todo o ciclo de produção.

É certo que o sector da moda não tem, até agora, sido conhecido por defender questões ecológicas. Contudo os tempos mudaram. Será que uma das indústrias mais poderosas do mundo, forte influenciadora e formadora de opinião vai escolher ser “verde”? Acreditamos que sim. A indústria da moda de luxo pode ser um agente de mudança nas apostas de sustentabilidade. E não nos esqueçamos do nosso papel como consumidores. Há muitos players a elevar a fasquia sustentável, e nós precisamos de apoiá-los.

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