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Entrevistas - 25.06.2018

Estivemos à conversa com um dos atores do momento, com presença assídua no pequeno ecrã e nas grandes telas: Pedro Hossi. Reconhecido em Portugal e Angola por produções na ficção nacional e internacional, dá-nos a conhecer um pouco mais sobre si e os seus projetos…

 

Antes de começar a trabalhar para a televisão portuguesa já era um grande sucesso em Angola. Para si, é muito diferente trabalhar em televisão nos dois países?

Apesar de ter nascido em Luanda, a verdade é que o meu caminho profissional foi trilhado por outras paragens. Fiz um único projeto em Angola chamado Jikulumessu. O sucesso a que se refere talvez esteja associado à personagem que desempenhei nesse mesmo projeto... Um individuo casado, com filhos, bem-sucedido profissionalmente, mas completamente apaixonado por um homem. O tema da homossexualidade é, por norma, controverso, e em Angola tomou proporções homéricas com a novela a ser suspensa apôs ter sido emitido um beijo entre a minha personagem e a do ator Lialzo Almeida. É difícil estabelecer comparações entre Portugal e Angola no que diz respeito ao audiovisual e à ficção. Enquanto Portugal já tem uma indústria, que por mais pequena que seja, existe; no caso angolano é prematuro falar-se numa indústria, existe muita gente com talento, boas ideias e boa vontade, mas sem acesso a qualquer tipo de apoio. Isso faz com que exista escassez de conteúdo nacional, o que é uma pena, pois estamos a falar de um povo com histórias incríveis para contar.

 

A novela Jikulumessu, em que participou, trouxe vários angolanos aos ecrãs portugueses, mas também à passadeira vermelha de Hollywood. De que forma recebeu a nomeação de Melhor Telenovela Internacional?

Esse foi um projeto feito com muito carinho, tínhamos todos a noção de estar a criar algo relevante. O que aconteceu a seguir, as nomeações, prémios, etc., acabou por ser o reflexo do empenho e dedicação de centenas de pessoas.

 

Recentemente, começou a entrar nas casas dos portugueses na novela A Herdeira como Javier González, mais conhecido como Tiburón, o que lhe trouxe uma maior exposição. Qual o feedback que tem recebido do público?

Apesar de interpretar um vilão, sinto-me bastante acarinhado pelo público. As crianças são normalmente as mais expansivas na abordagem, o que me deixa feliz e remete também um pouco para a minha própria infância, em que sentia uma atração natural por figuras de poder imortalizadas pelo cinema ou televisão.

 

Esta sua personagem assume um carácter muito forte. Considera ter em si algumas das características do Tiburón?

Existem emoções que são comuns a todos nós: amor, inveja, ódio, paixão, etc... Nesse sentido, consigo estabelecer uma ligação com o personagem que interpreto e perceber o que o motiva a fazer o que faz. Mas tirando isso existe muito pouco em comum entre mim e o Tiburón.

 

Que importância está a ter este projeto de ficção nacional na sua vida profissional e pessoal?

Antes de mais, estes projetos talvez por serem longos permitem-nos conhecer bem as pessoas com quem passamos tantas horas a trabalhar. Acabamos invariavelmente por fazer amizades que acredito serem para a vida. No plano profissional, fazer um vilão, um personagem forte dentro de uma novela que é um sucesso de audiências é muito positivo... Sinto que estou a atravessar uma fase muito bonita da minha vida, tanto a nível pessoal como profissional.

 

Sente dificuldade em passar de um personagem para outro principalmente quando são registos completamente diferentes, como foi o caso das duas últimas novelas?

Foi a primeira vez que terminei um projeto e comecei outro logo de seguida sem ter férias. Não acredito que o vá voltar a fazer tão cedo. As personagens precisam de ser abandonadas por completo para que outras (personagens) possam nascer. Acho que neste caso específico funcionou, mas como disse, não acredito que vá voltar a saltar de um projeto para outro sem um tempo de paragem, por mais curto que seja.

 

Como vê a ficção em Angola? Acha que ainda poderá crescer?

Os poucos projetos de ficção feitos até hoje foram um sucesso, o que me faz acreditar que existe um potencial tremendo, mas só isso não é suficiente. É necessário haver um programa de apoio ao audiovisual, algo que nos tempos que correm é inexistente ou muito pouco eficaz.

 

E quanto aos atores? Considera-os promissores?

Existem vários atores angolanos com capacidade e talento para se afirmarem em qualquer mercado. Não há escassez de talento em Angola.

 

Aos 22 anos foi para Nova Iorque estudar cinema. O seu desempenho valeu-lhe uma bolsa de estudos, tornando-o o primeiro estrangeiro a receber o "The Lee Strasberg Award Of Merit". Desde muito cedo, a sua paixão pelo cinema, motivou-o a querer ser o melhor?

A minha paixão pelo cinema fez com que descobrisse a minha vocação cedo. O meu objetivo nunca foi ser o melhor, mas sim estar em constante evolução. Ter ido para Nova Iorque possibilitou-me conhecer todo um universo de autores, peças de teatro e pessoas que me influenciam até hoje. Guardo com muito carinho esses tempos, era muito feliz e sabia disso.

 

O que aprendeu de mais importante quando esteve nos Estados Unidos? Pensa voltar um dia?

Aprendi que tudo é possível quando fazemos por isso, e que só com muito trabalho se consegue atingir um nível de excelência. Não vivo obcecado com a ideia de voltar aos Estados Unidos até porque estou a fazer aquilo que gosto num país que considero incrível. Foram muitos anos longe da minha família e amigos, e sabe-me bem estar de volta a Portugal.

 

Já viveu em Luanda, Estados-Unidos, Paris, e atualmente vive em Portugal. Tem planos para ficar em Portugal ou pretende explorar outros países? E porquê essa necessidade de estar em constante mudança?

Não creio que tenha existido uma necessidade de estar em constante mudança, as oportunidades foram aparecendo e eu fui dizendo mais vezes sim do que não. Hoje em dia sou um pouco mais seletivo nas minhas escolhas... Não sei o dia de amanhã, mas para já estou muito bem onde estou.

 

Quer desvendar-nos quais os sonhos que pretende realizar em Portugal, Angola ou pelo mundo fora?

Tenho alguns projetos pessoais que quero concretizar, nomeadamente um documentário que quero realizar, mas para isso preciso de tempo, o que me é escasso nos dias que correm.

 

Dizem que tem interesses pela escrita e fotografia… São áreas que assumem grande importância na sua vida, para além da representação?

A fotografia mais que a escrita. Acho importante termos hobbies que estimulem a nossa imaginação. Sou capaz de perder horas a fotografar, e ainda por cima é algo que posso fazer sozinho e em silêncio.

 

É adepto de um estilo de vida saudável. Quais são os cuidados que tem no seu dia a dia?

Tento fazer desporto sempre que posso. O surf passou a ter um papel muito importante na minha vida; tenho aprendido muito sobre os meus limites e como estava enganado em relação aos mesmos (limites). Há toda uma componente mental que entra em jogo quando praticamos um desporto que pode ter consequências desastrosas. O mar é volátil, imprevisível, e ensina-nos a estar conectados com o presente, e a tomar decisões rapidamente.

 

Como concilia essa preocupação entre o bem-estar físico e mental, tendo uma vida tão agitada?

Tento meditar sempre que posso. Acho importante, especialmente nos dias que correm, conseguirmos estar durante algum tempo sozinhos e em silêncio. Ter uma vida agitada não me impede de conseguir alguns minutos só para mim, pelo contrário. Acho fundamental conseguir arranjar tempo para estar a sós com a minha respiração e com os meus pensamentos.

 

Como vê o seu percurso até hoje? Faria algo diferente?

Acho que todas as experiências que vivi, boas ou más, fizeram de mim a pessoa que sou hoje. Cada vez olho menos para trás, ou para a frente. Tento cada vez mais viver no presente, com os pés bem assentes na terra e com o coração aberto e leve.

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