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Entrevistas - 22.06.2018

Iniciou a sua carreira de modelo em 1993, e após vários desfiles nacionais e internacionais, atingiu a notoriedade ao ser escolhida, em 1997, como a Tommy Girl portuguesa. Já em plenos anos 2000 é eleita a imagem da Coca-Cola. Os anos parecem não passar por ela... elegante, feminina, verdadeiro ícone da moda lusa, Luísa Beirão dá-nos a conhecer um pouco de si e dos seus segredos para manter a beleza.

 

A moda sempre foi uma vocação para si?

Não, foi um acaso. Tinha 15 anos e nas férias de verão como estava sem planos para os três meses de férias, fiz um curso de modelo e entrei para a Central Models. Nunca tinha pensado em ser modelo, a minha única referência em moda era a minha mãe que tinha um estilo super cool e liberal na forma de vestir.  J

Atualmente, já deixou a carreira de modelo. Como define essa etapa da sua vida?

Foram 23 anos fantásticos, viajei para sítios incríveis, conheci pessoas maravilhosas, que se tornaram amiga(o)s. Foi um desafio enorme do qual só hoje tenho essa consciência. Trabalhei quase todos os dias durante anos e sempre com pessoas, equipas e lugares diferentes. Foi muito estimulante, e proporcionou-me uma capacidade de adaptação extraordinária.

Com a sua experiência como é que encara a moda hoje em dia? Ainda aceita convites para desfilar?

Aceito pontualmente convites para desfilar, como é o caso do Diogo Miranda; além de grandes amigos, admiro o Diogo como designer.

A moda mudou muito nos últimos 10 anos, tornou-se mais volátil, mais easy going, assim como a nossa forma de estar. Pessoalmente, adoro! Sou fã dos mix & match, o regresso de uma série de peças que achávamos já não ser possível usar, usamos, queremos e abusamos. Excessos ou não, temos de sentir a liberdade de podermos ser e de usar o que gostamos. A roupa pode ser utilizada como um acessório, mas se refletir o que somos é ainda melhor!

Com que designer/estilista gostou mais de trabalhar até hoje? Algum criador ou pessoa que tenha assumido uma importância especial na sua vida profissional ou pessoal?

Tenho tantos... Filipe Carriço, que fez o styling desta produção. Conhecemo-nos há 10 anos e somos amigos, continua-me a surpreender com a sua criatividade, e fala de moda da mesma forma que respira. Os Maneis (Manuel Alves e José Manuel Gonçalves), a dupla que se supera estação após estação, são os criadores que mais memórias tenho desde que comecei a trabalhar, há mais de 20 anos: profissionais, talentosos, estimulantes e inspiradores, e felizes com o que fazem.

Que conselhos dá a quem quer enveredar pelo mundo da moda?

Perseverança, determinação, autoconfiança e humildade são os pontos-chave para o sucesso.

Fala-se muito sobre os perigos de se ser manequim…. Teve contacto com esses perigos durante o seu percurso?

Não, nunca.

Sentiu que neste mundo é difícil vingar? Quais foram as principais dificuldades que encontrou durante a sua carreira?

Honestamente, sempre tive imensa sorte e consegui sempre atingir os objetivos que tracei para a minha carreira. Como em todas as áreas, temos de ser fortes, determinados, humildes, nunca desistirmos porque acreditamos em nós e no nosso potencial e profissionalismo, pois só assim somos bem-sucedidos. Dificuldades há sempre… Talvez as viagens, passar muito tempo longe da família e dos amigos, e especialmente ter de tomar a decisão de ou estar presente nas ocasiões festivas ou estar disponível para um trabalho que pode ser ótimo para nós.

Algum desfile que a tenha marcado especialmente?

Sim, aos 16 anos fiz o desfile da Emporio Armani, em Milão. Foi a minha primeira viagem, tinha entrado na Central Models há dois meses, sem experiência nenhuma, mas foi incrível!

O que mudou na sua vida após se tornar modelo?

Tudo! Aos 16 anos era suposto estudar, ter amigos da minha idade, entrar na faculdade... Os meus planos alteraram-se por completo, mas esta decisão, além de rápida, foi consensual com os meus pais. Percebi que seria uma oportunidade que teria de aproveitar e que quando terminasse, ou não quisesse trabalhar mais como modelo, poderia entrar na faculdade tendo mais certeza da área em que queria trabalhar.

Como é ser-se uma mulher bonita e reconhecida em Portugal?

Normal. Claro que sinto que as pessoas reparam em mim, como reparam em todas as mulheres. Sou uma pessoa discreta e adoro que não me reconheçam, mas sempre que sou abordada, é de uma forma positiva.

Tem uma forma física invejável. Quais são os seus segredos para manter a boa forma mesmo após ter sido mãe?

Obrigada! Sempre fiz desporto, adoro! Desde que a minha filha mais velha nasceu há 10 anos que parei, e quando recomecei a treinar já estava grávida do meu filho. Foram quase 3 anos sem treinar, mas quem é mãe sabe que com dois filhos pequenos estamos sempre a fazer exercício! Mas, claro, que a boa genética e a alimentação são fundamentais para a minha boa forma. Neste momento, além de fazer yoga (duas vezes por semana), voltei a treinar com um PT (três dias por semana), e estou a adorar!

 

Acha que a moda portuguesa ainda tem muito para evoluir?

Claro que sim, mas estamos com ótimos projetos a curto/médio prazo! Temos bons exemplos de internacionalização, como é o caso do Miguel Vieira, Diogo Miranda, Luís Buchinho e Ricardo Preto. A evolução alcança-se não apenas na qualidade de tecidos e na execução das peças, mas também nos apoios financeiros que temos disponíveis, e felizmente que temos a MODA LISBOA e o PORTUGAL FASHION que potenciam novas áreas de negócio para os criadores.

 

Que dificuldades encontra ao conciliar a vida profissional e familiar? Ter sido mãe trouxe mudanças na sua carreira?

No meu caso, sempre consegui conciliar as duas. O auge da carreira de uma modelo é entre os 22 e os 27 anos. Entre esses anos trabalhei imenso e viajei; aos 28 anos por opção comecei a reduzir e a passar mais tempo em Portugal e a selecionar os trabalhos que me propunham. Quando a meus filhos nasceram, reorganizei a minha vida de forma a poder continuar a trabalhar e a estar sempre presente no crescimento e na educação deles.

 

No futuro pretende explorar outras áreas de conhecimento?

Sim, claro, já explorei outras áreas, acho que devemos ser ambiciosos e nunca ter receio do desconhecido.

 

Quer desvendar à F Magazine Luxury os sonhos que ainda lhe faltam realizar?

Imensos! Temos de sonhar para alcançar os nossos objetivos! Continuar a viajar e a mostrar aos meus filhos as maravilhas que existem no mundo, estar feliz e realizada são os principais. A casa no Alentejo é para breve.

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