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Entrevistas - 08.01.2017

Carismática, empreendedora, multifacetada, Karina começou como manequim, fundou e dirige a STEP, uma das mais prestigiadas agências de modelos de Angola, formou Maria Borges e Sharam Diniz,as primeiras angolanas a brilhar nas passerelles de moda internacionais. foi apresentadora na RTP do programa «Made in África»,e agora voltou ao «pequeno ecrã» com o programa «Vamos conversar», na DSTV. Recentemente criou a STEP Music, uma empresa em Angola e Portugal dedicada ao agenciamento e gestão de carreiras de artistas angolanos a nível internacional. Ao olhar para o seu percurso é inevitável dizer que o seu nome pertence à história da moda angolana.

Partilhou com a F Magazine Luxury alguns dos momentos marcantes da sua carreira, em que Portugal e Angola fazem parte do seu «ADN».

 

«Um dia vou colocar uma angolana na capa da Vogue e a desfilar em Paris - disse quando cheguei a Angola. Disseram que era maluca, mas eu não coloquei uma, mas sim duas.»

 

Começou por ser manequim em Portugal onde permaneceu durante oito anos. Que memórias guarda?

Guardo memórias muito boas e amigos aos quais estou ligada até hoje. Naquela altura, as coisas eram muito mais simples, em muitos dos desfiles éramos nós, manequins, que fazíamos a nossa própria make-up e não havia tantos manequins e agências como agora;eram quase sempre o mesmo grupo de pessoas.

Como fazia desfiles quase todas as semanas, a moda deu-me independência financeira. Também fiz alguns desfiles e catálogos em Madrid, Barcelona e Alemanha, masnão gostei da experiência; eram mercados muito competitivos e preferi ficar em Portugal, perto da minha família e amigos.

 

Visitou Angola pela primeira vezt há quase vinte anos. O que a levou a regressar mais tarde?

Quem me levou a Angola foi o meu amigo Daniel Nascimento. Na altura, apercebi-me que os angolanos já acompanhavam o meu trabalho em Portugal e daí surgiram alguns convites. Acabei por aceitar o desafio de estruturar e dirigir a primeira agência de manequins angolana. Pouco tempo depois, juntei-me ao KayayaJr e criámos a STEP, um projeto mais abrangente, com agenciamento de modelos, produção de eventos, espetáculos e audiovisuais.

 

Chegou numa altura em que a moda ainda era prematura em Angola. Quais foram os maiores desafios que encontrou?

Encontrei falta de profissionais, como maquilhadores, cabeleireiros, estilistas, fotógrafos de moda, e a falta de noção do que era ser manequim profissional. Os pais das modelos, elas própriase alguns clientes achavam que ser modelo era uma brincadeira ou um hobby.

 

Dirigiu a primeira agência de manequins em Angola, fundou a STEP, conseguiu colocar vários jovens angolanos nas maiores passerelles internacionais. Como se sente quando olha para o seu percurso?

Realização profissional e muito orgulho. Quando cheguei a Angola disse: Um dia vou colocar uma angolana na capa da Vogue e a desfilar em Paris. Na altura, disseram-me que era maluca, que as miúdas angolanas não davam para essas coisas. Pois, mas eu coloquei não uma, mas sim duas. A Sharam Dinizfoi a primeira manequim angolana a ser capa da Vogue e a fazer as fashionweeks de Nova Iorque, Londres, Milão e Paris e um desfile da Victoria’sSecret. E seguiu-se a Maria Borges, com o mesmo percurso. Sempre que se falar de moda em Angola, o meu nome estará lá, gravado na história.

 

Organiza o «Moda Luanda» há quase 16 anos consecutivos. Que lugar ocupa este evento no panorama da moda angolana?

O «Moda Luanda», queem Fevereiro de 2017 comemora o seu 20º aniversário, foi criado pelo KayayaJr, enquanto produtor independente. Só comecei a fazer parte da produção depois da criação da STEP, eu e o Kayaya fomos dando cada vez maior dimensão e projeção a este evento, que sempre foi, e continua a ser, o maior palco de divulgação da moda e dos criadores angolanos.

 

É vista como uma mulher de personalidade forte e determinada. Como é a Karina no campo das emoções?

Sim, tenho uma personalidade forte. Sou determinada, extremamente profissional e exigente. Trabalho muito, muito mesmo, e dou sempre o meu melhor. Por isso, sou respeitada e admirada, mas exatamente por causa disso, também sou invejada e atacada. Mas fora do trabalhosou muito meiga e carinhosa, até com os filmes da Disneyeu choro. Sou muito leal, frontal e amiga dos meus amigos, pelos quais só não faço o que não posso.

 

Como surgiu a ideia de criar a sua própria linha de cosméticos e maquilhagem?

Era um sonho antigo. Desde os tempos em que era manequim ficava fascinada com o trabalho das maquilhadoras, que nos transformavam como queriam. Com o passar dos anos, fui estudando essa possibilidade, até que decidi lançar a minha marca no dia em que completei 40 anos. Foi um marco muito especial na minha vida o nascimento da «KB Make-Up».

 

Que cuidados de beleza não prescinde no seu dia a dia?

Uso um creme hidratante para o corpo e, no rosto, uso um sérum com vitamina C e um bom hidratante. Também faço massagens, sempre que possível. Adoro!

 

Recentemente, foi convidada para apresentar o novo programa «Vamos conversar». Como está a ser esta experiência?

Já fiz televisão em Portugal, onde apresentei o «Made in África», na RTP 1 e RTP Internacional, participei em telenovelas e minisséries como atriz, apresentei grandes eventos transmitidos em direto, como o «Miss Mundo», e fiz o programa da ZAP «O que elas pensam». A televisão sempre fez parte do meu percurso.O «Vamos conversar» é o projeto mais especial que fiz em televisão porque é um talk-show, um formato que sempre quis fazer. A ideia original, o conceito, a produção executiva, o cenário e a seleção de convidados são meus. É o meu programa.

 

Já foi modelo, produtora de eventos, fundou uma das mais prestigiadas agências de modelos em Angola, criou a sua própria marca de maquilhagem e agora regressou ao «pequeno écran». Há algo que ainda não tenha feito e que gostaria de vir a fazer?

Continuar oque estou a fazer agora, o agenciamento e gestão de carreiras de artistascom a «STEP Music»,que abriu em Angola e também em Portugal, e com a televisão.No futuro, quero trabalhar um pouco menos, e viajar muito mais…

 

Estamos prestes a chegar à quadra natalícia. Como vive esta época?

Em família, com carinho e muita comida! Adoro passar o Natal em Portugal, com os meus pais e os meus filhos, e confesso que adoro dar e receber presentes.

 

Nasceu em Portugal, mas já vive em Angola há quase duas décadas. Com qual dos países se identifica mais?

Considero-me uma cidadã do mundo. Sou portuguesa, sinto a herança guineense dos meus pais, tenho muito carinho por Angola, amo os Estados Unidos da América, para onde vou várias vezes em trabalho e lazer, gosto muito de viajar. Cada um destes países preenche um pouco do meu ser e contribui para o que eu sou.

 

Um dia gostava de regressar a Portugal ou imagina-se a viver em Angola para sempre?

Não me imagino a viver em Angola para sempre. Portugal é onde pretendo passar mais tempo por causa da «STEP Music» que tem os novos escritórios em Lisboa, mas o futuro é uma «caixinha de surpresas»… Nunca sabemos onde iremos acabar!

Por Sofia Cardoso

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