Entrevistas - 21.11.2016

Acaba de completar 60 anos com a mesma beleza e elegância que lhe foram sempre incontornáveis. Numa entrevista emotiva, a ex-manequim e atriz abre-nos o coração e recorda as memórias que guarda da sua terra natal, Moçambique. Fala-nos da sua recente estreia no papel de avó e revela-nos como tem encarado a passagem dos anos... Com uma energia contagiante e um sorriso ao qual ninguém fica indiferente, falou-nos, sobretudo, de beleza e dos seus segredos para continuar bonita, elegante e inspiradora.

Foi uma das primeiras mulheres a brilhar nas «passerelles» nacionais, na década de 70… Hoje, continua a ser um ícone de beleza. Qual é o seu segredo?
Acho que esse reconhecimento se deve, sobretudo, ao facto de eu ter feito uma carreira muito forte na área da moda, naquela época… Embora já houvesse alguns nomes muito sonantes, penso que marquei a diferença, por ter vindo de Moçambique, por ter um ar exótico, e porque, naquela altura, o grupo restrito de mulheres que trabalhava na moda era muito admirado. Éramos consideradas “deusas”... Desfilar na década de 70 também era diferente do que é hoje. Era um trabalho interpretativo, que envolvia muita técnica. Tínhamos espetáculos de moda fabulosos… Foi uma época que marcou muito os desfiles de moda em Portugal.

 

Depois de ser manequim, organizou o concurso Miss Portugal durante sete anos consecutivos… Como surgiu este convite?
Foi muito natural porque, depois de ter sido manequim, comecei a desenhar coleções de roupa e, ao mesmo tempo, começaram a pedir-me para organizar também as coreografias dos desfiles e acabei por entrar nesse mundo. O convite para organizar o concurso Miss Portugal surgiu depois de ter feito as coreografias de todos os desfiles da Lacoste, nos vários países da Europa onde a marca estava representada. Foi um reconhecimento do meu trabalho nessa área e tive muita sorte porque, na altura, deram-me «carta branca» para introduzir algumas mudanças para melhorar o concurso. Foi um trabalho muito criativo e adorei a experiência. Felizmente, tenho tido uma vida muito ativa e variada e acho que é isso que me deixa bonita por fora e por dentro. Trago sempre um desafio novo no coração.

 

Podemos dizer que é esse o seu «segredo de beleza»? Manter-se em constantes desafios?
Sim, manter-me em constantes desafios e em desafios exigentes. Sempre fui muito seletiva com os trabalhos que aceitei fazer. Desde cedo, decidi trabalhar apenas em projetos que eu considerasse que fossem de qualidade e acho que consegui concretizar esse objetivo. Ainda hoje sinto que as pessoas reconhecem essa qualidade no meu trabalho. As vitórias que tenho tido têm-me mantido muito feliz e muito entusiasta com a vida. Depois, a parte genética também ajuda, obviamente (a minha mãe aos 87 anos quase não tinha rugas…), mas também tenho cuidado de mim. Sempre tive muito cuidado com o sol, não fumo (apenas em algumas ocasiões, muito raras), bebo com moderação e tenho conseguido manter alguns valores que a nossa sociedade atual está a perder… Sou muito pontual e procuro ser o mais correta e honesta possível com as pessoas que estão à minha volta. Todos estes fatores juntos permitem-me chegar aos 60 anos com o aspeto de uma pessoa «de bem com a vida» e, sobretudo, feliz e realizada.

 

Acaba de completar 60 anos. Já passou pelas idades mais temidas pelas mulheres, como os 40 e os 50 anos. Como encarou cada uma destas fases?
A melhor fase foi quando fiz 30 anos. Foi nessa altura que senti que tinha atingido o auge do meu crescimento intelectual e da minha aparência física. Quando cheguei aos 40 fiquei um pouco apreensiva, porque percebi que já tinha chegado à idade «dos meus pais», mas não me assustei muito… Estava muito bem conservada e as pessoas achavam que eu tinha ainda 25 ou 28 anos. A pior fase foi quando entrei nos 50 anos… Tive uma crise de choro… Percebi que tinha meio século de vida e que aquela mulher super ativa, que sempre fui, iria passar a ser diferente. É difícil olhar para o espelho e perceber que o nosso rosto está diferente e que os traços de beleza estão a alterar-se. É difícil encarar o nosso envelhecimento, assumo. Contudo, com o tempo, acabei por aceitar, porque não sou muito apologista de viver as mágoas durante muito tempo.

 

Como supera esses momentos mais difíceis?
Analiso-os. Penso que não posso ter o corpo de manequim para sempre, mas posso continuar a ser uma pessoa agradável e a ter uma vida feliz. Depois, percebi que a natureza é perfeita e traz tudo no tempo certo. Agora, tenho a maturidade suficiente para perceber que se viver mais devagar, como a própria idade exige, tenho mais tempo para aproveitar muitas outras coisas, como por exemplo, estar mais presente na vida dos meus filhos. Nesta fase, aprecio muito mais a vida fora do trabalho e tenho mais oportunidade de abrir o meu coração para os outros e isso é bom.

 

Hoje já é avó de uma bebé… Como está a ser esta nova fase?
Esta fase não tem nada a ver com a apreensão que senti aos 40 anos e aquela que senti aos 50 que já não foi apreensão, mas foi depressão (risos). Olhando para trás, percebo que tive uma vida cheia e muito bonita com muitas aventuras, muitas viagens, muitos projetos… A vida trouxe-me oportunidades fantásticas. Neste momento, preocupa-me apenas saber como vou conseguir gerir o trabalho que ainda tenho e as pausas que gostava de ter para gozar mais os meus filhos, a minha casa, o meu companheiro e, sobretudo, a minha neta. Estou a tentar encontrar esse equilíbrio, porque me sinto extremamente grata por já ter uma neta no colo nesta fase. A minha família é o meu «balão de oxigénio». É lá que vou buscar a minha força e o positivismo com que gosto de encarar a vida e, hoje em dia, basta um olhar ou um sorriso da minha neta, para compensar tudo o resto.

 

Hoje, quando se vê ao espelho, que mulher vê?
Primeiro, não me reconheço com 60 anos (risos). É a tal idade «os nossos pais», mas acho que os 60 anos desta nova geração são diferentes. Acho que nós somos os «novos velhos» e encaramos esta idade de uma forma muito mais ligeira. Quando me olho ao espelho, vejo o reflexo de uma mulher que teve uma vida feliz e uma infância que foi o alicerce para enfrentar os problemas que apareceram na idade adulta. Foi o facto de ter nascido em Moçambique e de ter tido uma infância livre e cheia de amigos e uma educação muito ligada à família, com os valores que a minha mãe trouxe de Goa, que me ajudou a ser a mulher tranquila que sou hoje.

 

Viveu em Moçambique até aos 18 anos… Que memórias guarda de África?
Memórias de amor (silêncio). Amor pelo meu país, pelos meus pais, pelos meus amigos, pelo cheiro a terra molhada, pelas tempestades, pelo mar… Amor porque tinha a ilusão que iria viver sempre em África num continente maravilhoso, o que não aconteceu. A única memória triste em relação à minha infância foi a desilusão que eu tive em relação à sociedade, à medida que fui crescendo… Como vivia num ambiente com pessoas de todas as cores e raças, onde todos éramos amigos, achava que o mundo só podia evoluir para melhor. Na altura, achava que, quando fosse adulta, as pessoas iriam ser muito melhores e essa foi a grande deceção da minha vida. Cada vez mais, acho que as pessoas estão a ser piores e que a vida humana vale cada vez menos. Hoje, mata-se por motivos que não deveriam ser plausíveis e as pessoas estão cada vez mais egoístas, isoladas e desconectadas umas das outras.

 

Aos 58 anos, foi embaixadora do filme “A idade de Adaline”, que aborda a beleza eterna. O que significou para si representar esse papel?
Esse convite foi, para mim, o reflexo do meu aspeto interior, mais do que o exterior. De facto, sinto-me muito mais jovem do que a idade que está no meu bilhete de identidade. Sinto que sou muito mais aberta ao mundo atual e muito mais «viva» do que outras mulheres da minha idade. Claro que não parei de envelhecer, como acontece com a protagonista do filme, isso seria muito bom! (risos). Mas também não sei se seria assim tão bom ver os outros a envelhecer à minha volta e eu não... Perceber que continuaria muito mais nova do que a minha própria filha, como o filme abordou, seria extremamente doloroso...

 

Acha que esse conceito de beleza eterna, retratado no filme, pode ser transportado para a realidade? Ou seja, é possível uma mulher sentir-se bela a vida toda, independentemente da idade?
Acho que sim. O que nós somos na maturidade, aos 50 ou aos 60, é um reflexo da forma como vivemos até aí. E se vivermos sempre de uma forma honesta e saudável, acho que podemos continuar eternamente bonitas. O meu maior exemplo é o da minha mãe, que continuou bonita, serena e feliz até ao fim da vida, mesmo depois de lhe ter sido diagnosticado um cancro e de ter convivido com essa doença terrível até aos últimos dias.

 

Já foi modelo, atriz, empresária e hoje é decoradora de interiores… Se lhe pedíssemos para eleger a sua área preferida, qual escolheria?
Neste momento, escolheria a decoração de interiores, sem dúvida. Adoro a liberdade criativa que tenho nos projetos de decoração. É muito entusiasmante transformar uma casa, um hotel, um apartamento de férias ou uma loja, principalmente, quando nos é concedido um «budget» que nos permite tornar estes espaços confortáveis, acolhedores e luxuosos. Daqui para a frente, gostava de me dedicar especialmente às decorações Premium, onde temos um«budget»mais alargado para trabalhar com peças de arte e criar detalhes, que de outra forma não seria possível.

 

Em qual destas áreas vamos poder ver o seu próximo projeto profissional?
Atualmente, estou a trabalhar como assessora de imagem da Vista Alegre, mas gostava de me dedicar somente aos projetos de decoração. Tem sido muito gratificante ver a reação dos clientes ao meu trabalho. As pessoas ficam muito felizes e isso não só me preenche pessoalmente, como me deixa muito realizada. Quer dizer que consegui ler a mente e o coração daquela pessoa e que fui ao encontro do objetivo do cliente que confiou em mim.

 

Sempre foi uma mulher multifacetada. Há algo que tenha deixado por fazer e que ainda gostasse muito de fazer?
Gostava muito de desenhar e construir uma casa, onde os meus filhos se pudessem reunir, depois de eu partir, de forma a nunca perderem a amizade que os une. Esse era um legado de família que eu gostava de deixar. Depois, gostava de deixar também um legado de amor. Gostava de ajudar três, quatro ou dez crianças que ficaram órfãs nesta última emigração de refugiados. Gostava de poder construir uma outra casa que fosse um «lar de amor» para estas crianças, onde pudessem ter um abraço de alguém ao final do dia, alguém que lhes ensinasse os bons princípios e os valores fundamentais da vida. Acima de tudo, gostava que estas crianças percebessem que, apesar de terem perdido tudo, não perderam a oportunidade de serem felizes e de serem amados.

+

 

Esta edição é dedicada à beleza... O que significa, para si, a beleza?
É evidente que a beleza exterior é atraente para homens e mulheres, mas eu aprecio, sobretudo, a beleza que as pessoas emanam do interior. Essa é uma beleza que nunca morre, que nunca envelhece e que se transmite através da educação, do sorriso, do olhar e da postura que temos na vida… Essa beleza é eterna.

Os Mais Vistos

Beleza

Proteja o sistema imunitário da pele

Lifestyle

Conheça as novidades do luxuoso resort para este verão

F Luxury no Instagram

Contactos

Portugal
Avenida Nossa Senhora do Cabo, 101
2750-374 Cascais
T. (+351) 210 149 077

Angola
Rua N'Dunduma nº147 e 149, Bairro
Miramar, Angola
T. (+244) 942 624 495

Suíça
Flüelistrasse 13, CH-6054 Kerns
T. (+41) 79 524 94 33